domingo, 22 de setembro de 2013

A mulher na Idade Média


A mulher medieval exercia um papel de inferioridade absoluta em relação aos homens, sendo que possuía pouquíssimas oportunidades e as mulheres que as conseguiam, além de não obterem o reconhecimento merecido, eram apenas nobres ou aquelas que se dedicavam à vida religiosa e celibatária.
Aquelas que se dispusessem a entregar suas vidas à religião e à Igreja possuíam maior probabilidade de conseguir educação, já que vários mosteiros ofereciam às mulheres dispostas a servir a Deus um ambiente em que pudessem viver trabalhar, rezar, participar da liturgia e colocar em prática seus talentos administrativos e intelectuais. A elas cabia exercer os papéis de camareira, despenseiras, porteiras, bibliotecárias, copistas e professoras.
As mulheres tinham também outros papéis sociais, incluindo os de esposa, mãe, camponesa, artesã, enfermeira e também alguns postos de comando como os de rainha e de abadessa, mas mesmo assim à frente delas estava sempre um representante masculino.
O papel da mulher era bem limitado quanto ao do homem, e a Bíblia é clara ao dizer que elas são seres frágeis e ínfimos, além disso, a inferioridade das mulheres era justificada pela Igreja como fontes de pecado e maldade, por serem descendentes de Eva, que como conta o livro sagrado foi responsável pela expulsão de si mesma e de Adão do paraíso.
Na Idade Média também havia o preconceito contra as crianças meninas, que quando consideradas bruxas ou desobedientes eram julgadas como um crime contra a religião.
Quando a Igreja instituiu o casamento, a maternidade e o papel de boa esposa passaram a ser exaltados, criando-se uma forma de salvação feminina a partir de três modelos: Eva (a pecadora), Maria (o modelo de perfeição e santidade), que suavizou a maldição da mulher ser aliada do demônio e Maria Madalena (a pecadora arrependida). Embora o Clero continuasse a considerá-las como criaturas fracas e melindrosas quanto às tentações do diabo.
Quanto às atividades profissionais, as mulheres eram vistas como seres que foram feitos apenas para obedecer, não era bom saberem ler e escrever e a elas cabiam somente o dever de fiar e bordar. Se fossem rainhas ou mulheres de homens ricos e poderosos, cabia-lhes o dever de supervisionar e auxiliar os empregados e somente ficar no comando quando não havia presença masculina na casa. As mulheres nobres tinham a função de donas de casa, coisa muito difícil na época, já que deveria existir muita habilidade e senso de organização para esta prática. E por fim as camponesas, que deveriam acompanhar seus maridos em todas as atividades que tinham de ser desempenhadas no domínio senhorial em que trabalhavam, e se caso ficassem viúvas, deveriam trabalhar com os filhos ou sozinhas pelo resto de suas vidas.

Além de serem subjugadas pela Igreja, as mulheres eram vistas como sendo apenas um instrumento de procriação e não deveriam de forma alguma demonstrar prazer. Assim, o casamento era considerado um pacto entre duas famílias, que consolidava essa ideia. Era também dever da mulher preservar a honra de seu esposo.
As filhas não possuíam direito sobre as terras ou sobre bens materiais. Por serem excluídas da sucessão, ao assumirem o matrimônio e conseqüentemente adquirirem seus dotes, os mesmos deveriam ser administrados pelo marido: o dever mais importante do chefe da família era vigiar e possuir o controle sobre a vida das mulheres que viviam sob sua tutela, tendo total liberdade para tomar decisões sobre suas vidas.
O quarto era um espaço utilizado para aprisionar as damas medievais, além de sujeitá-las em seus aposentos, era necessário ocupá-las, pois o ócio era tido como um perigo à natureza feminina. Por isso, o tempo tinha que ser dividido entre oração e trabalhos manuais ligados à costura, nele, fiava-se e bordava-se na companhia das outras mulheres da casa, e das mãos femininas vinha a produção dos enfeites da casa e do quarto, além de peças do próprio vestuário.
As mulheres sofriam restrições, também, em relação à sua aparência. Quando fossem sair às ruas deveriam prender os cabelos em uma trança, já que na época o cabelo solto tinha um poderoso efeito erótico e era tido como um atributo sexual. Só as mulheres que viviam da prostituição mantinham seus cabelos soltos. Mulheres que não eram mais meninas, principalmente as casadas, ao estarem em público deviam encerrar suas tranças numa touca.
A prostituição na Idade Média, que era tolerada dentro de alguns parâmetros, foi gerada como uma forma de evitar que os casos de estupros se tornassem maiores do que já eram. O sexo pago se tornava assim uma válvula de escape da libido masculina.
A faixa etária das mulheres indicavam as etapas pelas quais elas haviam passado. Por volta dos 17 anos, as prostitutas trabalhavam nas ruas, sendo que, depois dos 20, tornavam-se camareiras das casas de banho, vendendo-se nestes locais para os freqüentadores. Por volta dos 28 anos, tornavam-se pensionistas dos bordéis, depois dessa idade, quando a beleza da juventude havia sido perdida, algumas prostitutas se tornavam cafetinas em bordéis e algumas poucas se casavam, sendo que a maioria se retirava para conventos criados para acolher as mulheres pecadoras e arrependidas.
Alguns religiosos diziam frases preconceituosas contra as mulheres, como São Tomas de Aquino, que afirmava que “ela era um ser acidental e falho e que seu destino é o de viver sob a tutela de um homem, por natureza é inferior em força e dignidade”. Tertuliano dizia que ela “era a porta do Demônio”. E além dos prejulgamentos cristãos, vários pensadores também tinham pensamentos implicantes, divulgando frases como: "A alma de uma mulher e a alma de uma porca são quase o mesmo, ou seja, não valem grande coisa.” (Arnaud Laufre), "A mulher é um verdadeiro diabo, uma inimiga da paz uma fonte de impaciência, uma ocasião de disputa das quais o homem deve manter-se afastado se quer estar em tranqüilidade." (Francisco Petrarca, poeta italiano, século XIV).

    A inferioridade das mulheres na Idade Média era algo impressionante, já que para elas restavam papéis limitados na sociedade da época, além de sofrimentos e preconceitos. A Igreja como maior instituição do período reforçava a ideia secundária sobre a feminilidade, reforçando o conceito de que deveriam viver apenas sobre a custódia de um representante masculino. A história e vida das mulheres medievais são baseadas em aquém e rejeição, falta de liberdade e subordinação.