A mulher medieval exercia um papel de
inferioridade absoluta em relação aos homens, sendo que possuía pouquíssimas
oportunidades e as mulheres que as conseguiam, além de não obterem o
reconhecimento merecido, eram apenas nobres ou aquelas que se dedicavam à vida
religiosa e celibatária.
Aquelas que se dispusessem a entregar
suas vidas à religião e à Igreja possuíam maior probabilidade de conseguir
educação, já que vários mosteiros ofereciam às mulheres dispostas a servir a
Deus um ambiente em que pudessem viver trabalhar, rezar, participar da liturgia
e colocar em prática seus talentos administrativos e intelectuais. A elas cabia
exercer os papéis de camareira, despenseiras, porteiras, bibliotecárias,
copistas e professoras.
As mulheres tinham também outros papéis
sociais, incluindo os de esposa, mãe, camponesa, artesã, enfermeira e também
alguns postos de comando como os de rainha e de abadessa, mas mesmo assim à
frente delas estava sempre um representante masculino.
O papel da mulher era bem limitado
quanto ao do homem, e a Bíblia é clara ao dizer que elas são seres frágeis e
ínfimos, além disso, a inferioridade das mulheres era justificada pela Igreja
como fontes de pecado e maldade, por serem descendentes de Eva, que como conta
o livro sagrado foi responsável pela expulsão de si mesma e de Adão do paraíso.
Na Idade Média também havia o
preconceito contra as crianças meninas, que quando consideradas bruxas ou
desobedientes eram julgadas como um crime contra a religião.
Quando a Igreja instituiu o casamento,
a maternidade e o papel de boa esposa passaram a ser exaltados, criando-se uma
forma de salvação feminina a partir de três modelos: Eva (a pecadora), Maria (o
modelo de perfeição e santidade), que suavizou a maldição da mulher ser aliada
do demônio e Maria Madalena (a pecadora arrependida). Embora o Clero
continuasse a considerá-las como criaturas fracas e melindrosas quanto às
tentações do diabo.
Quanto às atividades profissionais, as
mulheres eram vistas como seres que foram feitos apenas para obedecer, não era
bom saberem ler e escrever e a elas cabiam somente o dever de fiar e bordar. Se
fossem rainhas ou mulheres de homens ricos e poderosos, cabia-lhes o dever de
supervisionar e auxiliar os empregados e somente ficar no comando quando não havia
presença masculina na casa. As mulheres nobres tinham a função de donas de
casa, coisa muito difícil na época, já que deveria existir muita habilidade e
senso de organização para esta prática. E por fim as camponesas, que deveriam
acompanhar seus maridos em todas as atividades que tinham de ser desempenhadas
no domínio senhorial em que trabalhavam, e se caso ficassem viúvas, deveriam
trabalhar com os filhos ou sozinhas pelo resto de suas vidas.
Além de serem subjugadas pela Igreja,
as mulheres eram vistas como sendo apenas um instrumento de procriação e não
deveriam de forma alguma demonstrar prazer. Assim, o casamento era considerado
um pacto entre duas famílias, que consolidava essa ideia. Era também dever da
mulher preservar a honra de seu esposo.
As filhas não possuíam direito sobre as
terras ou sobre bens materiais. Por serem excluídas da sucessão, ao assumirem o
matrimônio e conseqüentemente adquirirem seus dotes, os mesmos deveriam ser
administrados pelo marido: o dever mais
importante do chefe da família era vigiar e possuir o controle sobre a vida das
mulheres que viviam sob sua tutela, tendo total liberdade para tomar decisões
sobre suas vidas.
O quarto era um espaço utilizado para aprisionar as damas
medievais, além de sujeitá-las em seus aposentos, era necessário ocupá-las,
pois o ócio era tido como um perigo à natureza feminina. Por isso, o tempo
tinha que ser dividido entre oração e trabalhos manuais ligados
à costura, nele, fiava-se e
bordava-se na companhia das outras mulheres da casa, e das mãos femininas vinha
a produção dos enfeites da casa e do quarto, além de peças do próprio
vestuário.
As mulheres sofriam
restrições, também, em relação à sua aparência. Quando fossem sair às ruas
deveriam prender os cabelos em uma trança, já que na época o cabelo solto tinha
um poderoso efeito erótico e era tido como um atributo sexual. Só as mulheres
que viviam da prostituição mantinham seus
cabelos soltos. Mulheres que não eram mais meninas, principalmente as casadas,
ao estarem em público deviam encerrar suas tranças numa touca.
A prostituição na
Idade Média, que era tolerada dentro de alguns parâmetros, foi gerada como uma
forma de evitar que os casos de estupros se tornassem maiores do que já eram. O
sexo pago se tornava assim uma válvula de escape da libido masculina.
A faixa etária das
mulheres indicavam as etapas pelas quais elas haviam passado. Por volta dos 17
anos, as prostitutas trabalhavam nas ruas, sendo que, depois dos 20,
tornavam-se camareiras das casas de banho, vendendo-se nestes locais para os
freqüentadores. Por volta dos 28 anos, tornavam-se pensionistas dos bordéis,
depois dessa idade, quando a beleza da juventude havia sido perdida, algumas
prostitutas se tornavam cafetinas em bordéis e algumas poucas se casavam, sendo
que a maioria se retirava para conventos criados para acolher as mulheres
pecadoras e arrependidas.
Alguns religiosos
diziam frases preconceituosas contra as mulheres, como São Tomas de Aquino, que
afirmava que “ela era um ser acidental e falho e que seu destino é o de viver
sob a tutela de um homem, por natureza é inferior em força e dignidade”.
Tertuliano dizia que ela “era a porta do Demônio”. E além dos prejulgamentos cristãos, vários pensadores
também tinham pensamentos implicantes, divulgando frases como: "A alma de uma mulher e a alma de uma porca são
quase o mesmo, ou seja, não valem grande coisa.” (Arnaud Laufre), "A
mulher é um verdadeiro diabo, uma inimiga da paz uma fonte de impaciência, uma
ocasião de disputa das quais o homem deve manter-se afastado se quer estar em
tranqüilidade." (Francisco Petrarca, poeta italiano, século XIV).
A inferioridade das mulheres na Idade Média era algo
impressionante, já que para elas restavam papéis limitados na sociedade da
época, além de sofrimentos e preconceitos. A Igreja como maior instituição do
período reforçava a ideia secundária sobre a feminilidade, reforçando o
conceito de que deveriam viver apenas sobre a custódia de um representante
masculino. A história e vida das mulheres medievais são baseadas
em aquém e rejeição, falta de liberdade e subordinação.





