quinta-feira, 25 de abril de 2013

O papel da mulher desde a sociedade Greco-Romana até a atual

O papel da mulher desde a sociedade Greco-Romana até a atual

Sempre houve uma grande diferença, em diversos aspectos, entre homens e mulheres. As mulheres sempre foram subjugadas e colocadas como inferiores, por várias vezes recebendo tratamentos cruéis e indignos. Por exemplo na Grécia.
Todo ser humano que nascesse mulher estava sujeito a uma situação precária e miserável. A realidade da vida da mulher, quando comparada a uma grande parte da população, era muito dura, desmerecendo totalmente o ser feminino.
Todos os cidadãos participavam das decisões da polis, porém a lista de requisitos para que alguém possuísse esse “título” era longa e muito específica. As mulheres não o tinham e ficavam excluídas de todo o processo político.
As mesmas eram divididas em três tipos: as esposas, que ficavam restringidas ao espaço familiar; as concubinas, que ajudavam seus senhores nas tarefas diárias (escravas ou livres); e as prostitutas, que visavam à satisfação dos prazeres e a preservação da castidade de mulheres livres.
As mulheres eram símbolo das virtudes sensíveis e dos prazeres físicos, condições essas que as impediam de alcançar a “plenitude da razão”, e dessa forma, não podiam participar da polis, pois considerava-se que não tinham o uso pleno da razão. Principalmente as esposas (mulheres livres), que enquanto o marido vivia eram protegidas pelo Estado, eram privadas da vida pública, e depois que perdiam a proteção do Estado (quando o marido morria) encontravam dificuldades em continuar os negócios, devido ao preconceito.
Ser mulher nessa sociedade, rica ou pobre, bonita ou não, determinava seu próprio destino. Para todas, era vedado o título de cidadã, porém, seus papéis determinavam o acesso maior ou menor a liberdade. Em alguns casos, para prostitutas bonitas, que serviam de inspiração para músicos e pintores, era permitida certa participação na vida pública, embora sem direito de voz.
Outros grandes infortúnios que as mulheres enfrentaram desde os primórdios dos tempos, foram os maus tratos e a violência. Desde a Grécia e Roma, elas eram expostas à abusos físicos, morais e sexuais de seus maridos, e isso continua até o mundo de hoje, costumes herdados após vários aspectos hitórico-culturais que se acumularam com o passar do tempo.
No grande auge da era do desenvolvimento da indústria mundial, os burgueses queriam garantir a herança de seus herdeiros, assim passaram a controlar as suas mulheres com relação a fidelidade, com a intenção de que atos de infidelidade não provocassem herdeiros desgarrados do matrimônio, no entanto, este controle se tornou conveniente e propiciou aos chefes de família uma relação de extremo domínio sobre suas esposas. Como se a partir dali, elas não tivessem mais direitos, sentimentos, anseios, emoções.
O Capitalismo se tornou um terreno fértil para a prática da violência contra a mulher, já que fundiram as estruturas e modificaram um modelo de sociedade já experimentado e permitido pelas pessoas por muitas eras, onde o homem trabalhava para sustentar o lar e a mulher realizava as tarefas domésticas. A respeito disso, as novas tendências do mercado mundial facilitaram e favoreceram a inserção da mulher no mercado de trabalho e estudo. Isso parece ter criado em alguns companheiros muitas incertezas, e conseqüentemente a quebra daquela relação de completo controle, o que muitas vezes tem sido o início de muitas agressões.
A Igreja também influencia muito o poder do homem sobre a mulher, já que palpita sobre os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres desde que surgiu, sem contar a grande exposição da mesma como objeto sexual e de como é tratada de maneira inferior ao homem.
Por outro lado, muitas vítimas da violência são levadas a aceitá-las a fim de manter o seu sustento diário, o que é um pensamento errado, pois dá ao agressor mais controle, domínio, segurança e propicia o aumento da frequência e do grau das agressões. O que sem dúvida pode resultar num fim trágico.
Devido ao alto índice de violência com as mulheres, no Brasil foi instítuida a Lei Maria da Penha que se destina a combater e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher, podendo ser qualquer ação ou omissão que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial no ambiente doméstico, familiar e em qualquer relação íntima de afeto.
O papel da mulher na sociedades é um tema tão polêmico que inspirou vários artistas, sociólogos e pessoas influentes ao longo dos anos. Por exemplo a música Mulheres de Atenas de Chico Buarque (ver música abaixo), que foi criada como trilha sonora de uma peça que leva o mesmo nome, é uma música que retrata os abusos que as mulheres sofriam na sociedade Grega, e como eram extremamente submissas, elas apenas aceitavam e se conformavam com isso. Além de haver uma fortíssima presença de ironia, pois o autor utiliza várias vezes a expressão “mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas” ironizando o fato de que as mulheres de hoje deveria ser submissas e “obsoletas” como as mulheres de antigamente.



“Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas

Despem-se pros maridos, bravos guerreiros de Atenas

Quando eles se entopem de vinho

Costumam buscar o carinho

De outras falenas
Mas no fim da noite, aos pedaços
Quase sempre voltam pros braços
De suas pequenas
Helenas”
                                                       BUARQUE, Chico, BOAL, Augusto. In: Chico Buarque – letra e música. São Paulo: Companhia das Letras, 1989. p. 144.
        O trecho acima é um exemplo disso, ele relata como as mulheres eram tratadas entre os gregos. Ele expressa uma situação onde a esposa espera seu guerreiro bruto em casa, porém esse vai à tabernas e se embriaga, buscando carinho nos braços de outras mulheres, mas sempre acaba voltando pra casa para os braços de suas esposas.
        Atualmente existem maridos que são brutos e demonstram o mesmo comportamento que os homens daquela época, saem do serviço, vão a bares, acabam encontrando mulheres para seu prazer, e não aceitam a separação de suas mulheres, sempre voltando para casa.
A participação das mulheres avançou hoje em termos sociais, políticos e econômicos, tendo um maior acesso ao mundo do trabalho e ao mundo polítco.
Contudo, ainda hoje apesar de por muitas vezes possuírem níveis de escolaridade superiores ao masculino e de estarem cada vez mais presentes no mercado de trabalho, em nenhum âmbito da vida social a participação de mulheres e homens é tão desigual como no exercício do poder. O poder ainda é predominantemente ocupado por homens. O direito das mulheres de participarem da esfera pública, particularmente nas decisões políticas, sobretudo o direito de se habilitarem a cargos executivos ou legislativos, foi conquistado através de um longo processo de lutas e mecanismos de estímulo à inserção feminina nas administrações públicas e na competição eleitoral, que mesmo assim, ainda hoje não são respeitados, pois é cada vez menor o número de mulheres que ocupam cargos políticos, mesmo com as mudanças na legislação eleitoral, que obrigam os partidos a cumprirem a cota de 30% de candidaturas de outro sexo nas eleições proporcionais.
Outro exemplo, nas Forças Armadas é muito grande a desigualdade e o preconceito quanto ao gênero, tendo como base cargos em que apenas homens podem ocupar. No âmbito doméstico ainda há essa desigualdade, levando em conta o fato de que mesmo uma mulher possuindo dois empregos, é obrigada a cuidar dos afazeres de casa.
Estudos ainda mostram que em quase todos os cargos que são ocupados por mulheres (e homens), há uma divergência quanto ao valor recebido.
E mesmo com a criação da Lei Maria da Penha, muitos promotores públicos, magistrados, policiais e investigadores ainda não respeitam seus direitos, expondo as mulheres que buscam a proteção do Estado a abusos contínuos e muitas vezes, até mesmo, à morte.
Isso prova que mesmo que as mulheres tenham conseguido um papel mais ativo na sociedade social e economicamente, elas ainda enfrentam problemas e preconceitos que surgem devido ao desinteresse que a sociedade mostra em esquecer algumas ideias antigas.
Enquanto as mulheres não pararem de ser representadas pela mídia como fúteis, fracas, como aquelas que cuidam da casa enquanto o marido trabalha para conseguir o sustento e que são incapazes de uma escolha racional sem que haja a intercessão de um homem e se conformarem com isso, mostrando que são completamente influenciáveis por outras pessoas ou instituições e nunca tomando totalmente o controle da própria vida,elas nunca se libertarão dos conceitos que as prendem ao passado, podendo assim seguir rumo a um futuro igualitário e sem discriminações.





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